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sexta-feira, 21 de julho de 2023

Angola prepara Agenda de Transição Digital da Administração Pública

 O ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, Adão de Almeida, informou, quinta-feira, em Luanda, que o Executivo está a preparar a Agenda de Transição Digital da Administração Pública assente na identificação de serviços para a simplificação administrativa, desmaterialização e desformalização de procedimentos, desburocratização de serviços públicos de modo a aumentar a eficiência administrativa nos mais variados domínios.





Ao discursar na II Reunião Interministerial da Governação Electrónica da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), explicou que, apesar dos benefícios evidentes da interoperabilidade digital, existem desafios complexos, a segurança e a privacidade dos cidadãos que se impõem como questões cruciais a serem abordadas com zelo e responsabilidade.

Adão de Almeida acrescentou que Angola tem dado passos significativos em direcção à governação electrónica em perfeito alinhamento com as acções tendentes a reformar a Administração Pública, tornando-a mais dinâmica e capaz de responder aos anseios dos utentes: "Não estamos, ainda, onde queremos chegar, mas sabemos onde queremos estar”.


Apontou algumas iniciativas do Estado, com destaque para o Projecto de Simplificação de Actos e Procedimentos da Administração Pública (Simplifica), voltado à redução da burocracia e garantia de maior eficiência na prestação de serviços públicos, e a criação do Instituto de Modernização Administrativa (IMA).


O ministro e Chefe da Casa Civil do Presidente da República sublinhou que não se pode ignorar a despeito dos benefícios da interoperabilidade digital, mas, também, existem desafios complexos relacionados com a segurança da informação e preservação da privacidade dos cidadãos. "Urge investir em sistemas de governação efectivos a fim de garantir a confiança e a segurança de nossas operações digitais”, apelou.


"A nossa comunidade compartilha a riqueza da língua portuguesa, compartilha, também, os desafios e oportunidades da Era Digital e é com essa unidade de língua e propósito que podemos avançar juntos, explorando as melhores práticas e aprendendo uns com os outros para impulsionar o desenvolvimento e a prosperidade do país”, realçou Adão de Almeida.


Segundo o governante, a transição digital deve estar firmemente enraizada nos valores da justiça, equidade e inclusão, não fosse a tecnologia uma ferramenta poderosa para promover a igualdade e acesso aos serviços públicos, capacitando os cidadãos e construindo uma sociedade mais justa e coesa.


Adão de Almeida acrescentou que o investimento na capacidade dos funcionários públicos é fundamental. "A interoperabilidade tecnológica para integrar sistemas e partilhar recursos de capacitação e treinamento vai permitir aos funcionários terem acesso a uma formação contínua, mantendo-os actualizados com as melhores práticas e tecnologias, capacitando-os a prestar um serviço público de qualidade”, frisou.


Interoperabilidade digital

O ministro de Estado disse que a interoperabilidade digital para uma governação pública mais eficiente e eficaz, para além de não deixar dúvidas sobre a importância da reunião que convida a todos a uma reflexão à volta do tema e a governação pública moderna virada para o cidadão, recomenda que a Administração Pública esteja permanentemente preocupada com a eficiência, se quiser estar à altura das expectativas dos destinatários. "Isso impõe a necessidade de prestação de contas aos cidadãos, uma maior proximidade aos cidadãos, a capacidade de conhecer e acompanhar as dinâmicas e anseios dos indivíduos, bastante criatividade, celeridade para trazer as soluções necessárias e desejadas”, explicou.


Referiu que a interoperabilidade digital está associada a governação pública e sem ela não há governação electrónica e muito dificilmente haverá eficiência administrativa, apesar dos países da comunidade possuírem diferentes estágios de desenvolvimento económico e social, diferentes níveis de prestação de serviços públicos e de desenvolvimento tecnológico. "É possível sentarmos à mesma mesa e partilharmos as diferentes vivências e experiências, optarmos trilhar um caminho comum, tendo por base o que une a todos”, observou.


"A governação electrónica é um factor determinante para a modernização administrativa dos nossos países. Apesar das diferenças, essa ambição constitui um factor de união para que façamos um caminho juntos. Sem governação electrónica na CPLP, muito dificilmente haverá a desejada mobilidade dos cidadãos entre os nossos países, para as mais diferentes finalidades. Muito dificilmente incrementamos ao nível desejado as trocas comerciais, o que pode comprometer a ambição da comunidade”, considerou.


Segundo Adão de Almeida, é importante começar a desenhar os caminhos para a interoperabilidade digital para certos efeitos, entre as administrações públicas da CPLP. "Por isso, esta reunião constitui a reafirmação do compromisso dos nossos Estados em fortalecer as relações, colaborar e aproveitar o potencial das tecnologias para lograr o objectivo comum de responder positivamente à procura dos cidadãos nos mais variados domínios”, acentuou.

A título de exemplo, o disse, à volta da Administração Pública, que os cidadãos procuram cada vez mais da eficiência e menos burocracia, tratando-se de desafios actuais, inatingíveis e sem recursos das tecnologias de informação e comunicação, tornando-as um instrumento incontornável para a modernização administrativa, para a melhoria da prestação de serviços.


  Governação electrónica

O director de Cooperação, Manuel Lapão, em representação do secretário executivo da CPLP, esclareceu que mais do que um conceito ou ferramenta, a governação electrónica é hoje uma marca distintiva na relação que o cidadão estabelece com a Administração Pública e os serviços oferecidos. "E é o cidadão quem, cada vez mais, reclama por maior acessibilidade e facilidade na ligação com os serviços do Estado”, apontou.


Frisou que a governação electrónica é essencial para o aumento da eficiência e economia para governos e empresas, desburocratizando e simplificando processos, para uma maior transparência na gestão da "coisa pública” e para o incremento da participação dos cidadãos na vida política.


O uso adequado das tecnologias de informação e comunicação, no sector Público e no Modelo de Governação, terá como benefício directo a modernização da área pública e a criação de oportunidades para tornar os sistemas de governação cada vez mais transparentes e prestadores de contas.


De acordo com Manuel Lapão, é necessário que os Estados-membros continuem a adquirir capacidades para acelerar a implementação das tecnologias digitais e apostar no investimento em tecnologias inovadoras capazes de sustentar processos transformadores na prestação de serviços públicos e na dinamização das estratégias de desenvolvimento.


"A governação electrónica compreende um potencial significativo no que respeita ao fomento da cooperação intra CPLP e com os nossos parceiros de desenvolvimento, bem como ao desenvolvimento de diferentes iniciativas de concertação política, em benefício dos povos, sendo um sector amplamente transversal e com inúmeras intersecções com outras áreas sectoriais. É importante que se reforcem as concertações entre as diferentes áreas técnicas de intervenção da CPLP”, anunciou.


Manuel Lapão apresentou, como exemplo, a ligação entre os pontos focais de governação electrónica da CPLP e o Secretariado Permanente da Reunião dos Ministros das Comunicações da comunidade, para a partilha de informações e coordenação estratégica sobre a "Agenda Digital para a CPLP”, documento que orienta a estratégia na área e que representa uma mais-valia para a transição digital em curso nos Estados-membros.


"Não podemos deixar de reflectir sobre o tema desta reunião, que se prende com a interoperabilidade na governança pública, estratégia que poderá permitir acelerar a transição digital, como também produzir um impacto económico e social significativo, através de ganhos de eficiência nos diferentes serviços envolvidos”, reafirmou o director da Cooperação da CPLP.


Para Manuel Lapão, a governação electrónica deve ser encarada como um elemento fundamental da reforma do Estado por se tratar de uma ferramenta de prestação de serviços e soluções aos cidadãos, procura gerar confiança e credibilidade, aproximando a Administração Pública dos cidadãos e permitindo um acesso mais directo à informação, tornando-se mais transparente.

"Porém, ao mesmo tempo, a facilidade nesse acesso encerra também desafios em termos de protecção de dados, autenticidade, integridade e a confidencialidade da informação”, concluiu.

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